Nesta série de 7 pinturas inéditas em grande formato Marina não se descola de sua natural delicadeza ao expandir seu desenho do papel para a parede, não se perde dos detalhes que são seu alicerce para construir a cena a partir de um mundo onírico presente do começo ao fim de seu processo de pintura. Durante longas horas em que passa pintando, Marina transmuta no silêncio abraçada por suas figuras femininas. Postada no centro do espaço, ela é uma entre tantas e assim orquestra o espetáculo através de pinceladas que passeiam Naïf, alongam expressões, revelam perfis de mulheres sóbrias em alma e beleza.
A opacidade das cores faz jogo certo com a cintilância e a transparência, são as escolhas que Marina faz durante todo o tempo de criação, vemos um mundo fantástico em justaposição. O céu ora coberto por pequenas estrelas ofuscantes, ora límpido na velocidade de uma estrela cadente que é pássaro amarelo ouro, livre para voar. Corpos se entrelaçam em uma única carta, mas com milhares de possibilidades. O vaso, o buquê, o desabrochar de uma flor, o corpo que se projeta reverenciando ao céu, ao sublime.
A sua obra toma forma a partir de recortes, são colagens de mundos individuais, personagens com seus objetos de poder que flertam com a impossibilidade de serem um todo até que se entreolham, se fazem companhia. Marina vai assim compondo este espetáculo em roda, vórtice de afeto, de feminilidade, de potencial absoluto da alquimía de suas cores tão fantásticas quanto espirituais.
- Carolina Escobar